Google Glass: Opiniões e Tendências

O Google Glass entra no mercado como uma ruptura, uma vez que oferece uma combinação tecnológica diferente de tudo o que já foi lançado, com destaque para a experiência e interatividade por meio da realidade aumentada. A tecnologia de experiência é um assunto cada vez mais discutido atualmente devido às exigências e as transformações da nossa sociedade. As pessoas querem cada vez mais poder interagir e entreter-se com a indústria de entretenimento e têm demandado novas e melhores tecnologias.

É interessante observar a proposta inerente a inovação tecnológica desse produto, que se dá principalmente pelas retiradas das barreiras entre tecnologia e a vida social. A principal proposta do óculos é o do seu uso contínuo durante todo o dia.  Isso é exemplificado de forma bastante consistente no vídeo, que publicamos no post anterior. Particularmente não achamos que o produto será usado dessa forma, sendo o uso em situações específicas algo, aparentemente, muito mais coerente.

O produto abre, nesse sentido, novas oportunidades de modelo de negócio nos mais diferentes segmentos, à medida que tal inovação fará com que diversos setores da economia precisem adaptar-se às mudanças trazidas pela Google, paralelamente à criação de um mercado completamente novo. Os setores de games, aplicações profissionais, turismo, varejo, publicidade e entre outros serão aqueles que terão maior necessidade de mudança, uma vez que a sociedade irá demandar tais serviços para obter uma experiência de realidade aumentada. Tais setores têm maior aplicação quando pensamos em realidade aumentada e, portanto, precisam se adaptar a esse novo modelo de negócio no qual será preciso desenvolver uma tecnologia que consiga integrar não só seus produtos e serviços como também diversas empresas e setores. Um exemplo disso pode ser visto no vídeo abaixo, no qual, ao andar pela cidade, o homem vê um anúncio de um show e já demanda o ingresso. Tal interatividade com o ambiente faz com que a empresa publicitária integre-se com aquela que é responsável por vender ingressos do show e a empresa de eventos responsável por esse show. Assim, pode-se perceber que a integração da tecnologia e a disponibilidade das informações precisam ser cada vez melhores para que as empresas consigam manter-se competitivas.

Algumas situações podem ser extremamente proveitosas ou benéficas para profissionais que atuam nos campos da medicina, estratégia militar, vida executiva, de engenheiros, de biólogos, e ainda, no cotidiano dos estudantes. Pensando na medicina, uma cirurgia poderia ser beneficiada, uma vez que o médico poderia ter acesso todas as reações do paciente, paralelamente a câmera em uma incisão.

As mudanças são muitas e, de certa forma, terão grande impacto na indústria como um todo. Na nossa opinião, o circulo de criatividade e inovação associados a esse  produto serão bastante promissores para as indústrias que souberem adaptar-se a esse novo referencial.

No entanto, a massificação desse produto implica em algumas questões que demandam maior discussão. Analisando a privacidade perdida com a introdução do google glass, pode-se inferir que muitas pessoas passam a se comportam de maneira distinta quando são confrontadas com uma câmera ou microfone, fazendo com que mudem sua forma de agir. Além disso, a empresa Google passará a ter um acesso significativamente amplo a vida das pessoas, uma vez que terá acesso a tudo que estiver associado ao óculos, o que pode, novamente, influenciar o comportamento das pessoas.

Outro ponto importante a ser discutido sobre o produto está no conforto que ele proporciona e na sua estética. O fato das pessoas terem que usar um objeto fisico no rosto pode ser desconfortável, podendo ser um fator decisivo pra não aceitação do produto. Com relação a estética, a empresa vem tomando algumas medidas, como por exemplo a inclusão desse produto nos desfiles de estilistas internacionalmente reconhecidos.  Também, pensando-se em Brasil e outros paises em desenvolvimento com taxas significativas de criminalidade o perigo de se portar um objeto de valor no rosto pode ser um fator limitante à adoção dessa inovação tecnológica.

Considerando que o produto obtenha sucesso, e seja adotado de forma significativa, observamos que de forma semelhante a inovações anteriores como o Ipad, os óculos do Google mudarão a forma como interagimos com a sociedade através da tecnologia, sendo, na nossa opnião um importante divisor de águas dessa década.

Ligia Gutierrez e Sander Iwase

 

Disruptions: Next Step for Technology Is Becoming the Background

JULY 1, 2012, 11:00 AM

Disruptions: Next Step for Technology Is Becoming the Background

By NICK BILTON
Google's glasses cost $1,500, for a special pre-order.
Jim Wilson/The New York TimesGoogle’s glasses, in a version for developers, cost $1,500.

I have seen the future, and it is wearable.

But before I tell you about this future, let’s take a short trip into the past, specifically to the mid-1400s, when a German by the name of Johannes Gutenberg was hard at work inventing the printing press. There’s a common misconception that Gutenberg’s press instantly changed society. This isn’t quite so.

Those first books were immense. The Morgan Library and Museum’s copy of the Gutenberg Bible weighs 33 pounds, 8 ounces. A book wasn’t something that you took on a walk to read on a park bench; it wasn’t something that was shared with friends. Instead books were immobile, often read only at a lectern. And, as most people were illiterate, there were a select few who could read them.

Those books were essentially equivalent to computers 30 years ago: large and inaccessible to almost everyone in society.

In the early 1500s, an Italian by the name of Aldus Manutius invented the pocketable book, changing history. Manutius realized that instead of printing one large page of a book on a printing press, he could print several on a single large sheet of paper, then cut them up, and make smaller, portable books.

Manutius’s transformation is like the shift to the smartphone, which are really just very small computers.

To continue our history lesson, another huge shift occurred in the late 1800s when the motion picture was invented. It enabled visual storytelling and at a mass scale unimaginable before.

The equivalent to that moment, of a technology that works regardless of age, education, literacy or intelligence, is happening right now with the advent of wearable computing. These wearable technologies like Google’s glasses that project information right where a person is looking will have the same effect on smartphones and computers as the motion picture did on books.

All these things share one distinct trait — a theme that has helped usher in new technologies since people drew on cave walls: storytelling. Storytelling for information and communication.

The ultimate form of communication occurs when “technology gets out of the way,” as Sergey Brin, Google’s co-founder, said this week at Google I/O, the company’s annual developer conference.

Mr. Brin noted this during a demonstration of Google’s Project Glass, the company’s glasses. See a person, and the glasses could tell you his work history. Look at a landmark and its significance could be explained.

I had a brief opportunity to try the glasses, and the experience was as mesmerizing as when I saw the iPhone for the first time.

The screen of Project Glass sits off to the side, clear and unobtrusive. You interact with it when you need to. When an e-mail or text message comes in, you can look if you want, or simply ignore it. It’s not as if a large red stop sign is jammed in your face when messages arrive. These things obviously have their share of problems. They cost $1,500, for a special pre-order. Although I’d gleefully walk around with a pair on, my sister and the majority of readers of this newspaper, would probably say, “No thanks. Way too geeky for me.”

But that will all change.

Mr. Brin said the glasses changed the way he posts his activities. “I have found myself responding to a text message or e-mails asking what I’m doing with a picture,” he said.

he told a story of repeatedly throwing his son, Benji, in the air with both hands, and then catching him. Google Glass took pictures and documented the moment. “I could never have done that with a smartphone or a camera,” Mr. Brin said. Instead, it was just Mr. Brin and his son, playing.

The technology was barely there.

And that’s the point. When technology gets out of the way, we are liberated from it. Wearable computing will free us from peering at life through a 4-inch screen. We will no longer have to constantly look at our devices, but instead, these wearable devices will look back at us.

E-mail: bilton@nytimes.com

Fonte: Bits

Leves e potentes, óculos do Google têm potencial sem precedentes; confira teste

14/09/2012 – 05h51
 
 

DAVID POGUE
DO “NEW YORK TIMES”

Novos gadgets –ou melhor, categorias de gadgets totalmente novas– não aparecem com muita frequência. O iPhone é um exemplo recente. Você pode dizer que o iPad é outro. Mas, se há alguma coisa realmente diferente e ousada no horizonte, certamente é o Google Glass.

O Glass é o protótipo do Google de um dispositivo que você usa no seu rosto. A empresa não gosta do termo “glasses” (óculos), pois ele não tem lentes. (A equipe do Glass, parte dos laboratórios experimentais do Google, também não gosta de termos como “realidade aumentada” ou “computador vestível”, que têm uma certa bagagem.)

  Reprodução/Google  
Foto de estudo de design do Glass publicada na página do projeto no Google+
Foto de estudo de design do Glass publicada na página do projeto no Google+

O Glass parece apenas uma armação de óculos com um bloco pequeno e transparente posicionado acima e à direita do seu olho direito –a tela do dispositivo. O Google Glass é, de fato, um computador razoavelmente completo. Ou, então, algo como um smartphone que você nunca precisa tirar do bolso.

A ideia deixou muita gente animada quando Nick Bilton, do “New York Times”, revelou o projeto, em fevereiro. O Google demonstrou-o pela primeira vez em abril, em um vídeo (veja no pé desta matéria). Em maio, na conferência Google I/O, ele ganhou mais destaque após os visitantes assistirem a uma transmissão de vídeo ao vivo feita do Glass usado por um saltador que pulou de um avião e caiu de paraquedas no telhado do prédio do evento. Mas, até agora, pouquíssimas pessoas fora do Google foram autorizadas a experimentá-lo.

Na semana passada, tive a oportunidade de usar um. Estou apresentando uma série na PBS chamada “Nova ScienceNow” (que estreia em 10 de outubro), e um dos episódios é sobre o futuro da tecnologia. Claro, projetar o que ainda está por vir em tecnologia para o usuário final é quase impossível, mas o Google Glass parecia um exemplo perfeito de uma grande inovação iminente. Então, na semana passada, a equipe do “Nova” e eu encontramo-nos com Babak Parviz, chefe do projeto Glass, para discutir e experimentar os protótipos.

Mas o Google enfatizou –e eu faço o mesmo– que o Glass ainda está em um estágio muito, muito inicial. Muitos elementos ainda não foram finalizados, incluindo o que o Glass fará, como a interface será, como ele funcionará e assim por diante. O Google não quer deixar o público empolgado com algum recurso que pode não se materializar na versão final do produto. (No momento, a empresa planeja oferecer os protótipos a desenvolvedores no ano que vem –por US$ 1.500–, antes de vender o Glass para o público em, talvez, 2014.)

Quando você pega os óculos, não consegue acreditar no quão leve eles são. Pesam menos do que um par de óculos de sol, na minha estimativa. O Glass é um feito absolutamente impressionante de miniaturização e integração.

Dentro da haste direita –o suporte horizontal que fica sobre a sua orelha–, o Google colocou memória, processador, câmera, alto-falante, microfone, antenas de Wi-Fi e Bluetooth, acelerômetro, giroscópio, bússola e bateria. Tudo isso dentro de uma haste.

O Google disse que, eventualmente, o Glass terá um rádio celular para que ele possa ficar on-line; no momento, ele conecta-se sem fio ao seu telefone para conseguir acessar a rede. E o que é surpreendente é que esse negócio fino é apenas o protótipo. Nas gerações futuras, ele ficará apenas menor. “Esta é a versão do Glass mais volumosa que já teremos feito”, disse-me Babak.

O maior triunfo –e, para mim, a maior surpresa– é que a telinha é completamente invisível quando você está falando ou dirigindo ou lendo. Você simplesmente se esquece dela. Não fica absolutamente nada entre os seus olhos e o que ou quem quer que você esteja olhando.

E, ainda assim, quando você foca a tela, levando o seu olhar para cima e à direita, aquele pequeno display de meia polegada é surpreendentemente envolvente. É como se você olhasse para uma grande tela de um laptop ou coisa do tipo.

(Ainda que eu geralmente necessite de óculos de leitura para ver de perto, esse display tão próximo parecia flutuar longe o suficiente para eu não precisar deles. Porque, sim –usar óculos sob o Glass pode dar uma aparência estranha.)

O avanço do hardware, em outras palavras, está aí. E o Google está agindo com cuidado para se certificar de que, na primeira tentativa, consiga acertar o máximo possível com o resto do aparelho.

Mas o potencial já é incrível. Pariz ressaltou que o Glass é projetado para dois propósitos principais –compartilhamento e acesso instantâneo a informação– com as mãos livres, sem ter que tirar qualquer coisa do seu bolso.

Google Glass

 

Você pode controlar o software deslizando um dedo sobre a haste direita em diferentes direções; ela é um touchpad. Seus movimentos podem conduzi-lo por menus simples. Em diversas apresentações, o Google mostrou ícones para coisas como tirar uma foto, gravar um vídeo, fazer uma chamada telefônica, navegar no Google Maps, verificar sua agenda e assim por diante. Um toque seleciona a opção desejada.

Em demonstrações recentes, o Google também mostrou que você pode usar reconhecimento de voz para controlar o Glass. Você diz “OK, Glass” para chamar o menu.

Para ilustrar como o Glass pode mudar o jogo no compartilhamento de sua vida com outros, testei uma demonstração. Nela, é exibida uma foto –uma cena de selva, com uma passarela de madeira bem na minha frente–, e o tema de “Jurassic Park – O Parque dos Dinossauros” é reproduzido com clareza no meu ouvido direito. (Bonito, muito bonito.)

Mas, quando eu olhava para a esquerda, para a direita, para cima ou para baixo, a minha visão mudava de acordo com a minha escolha, como se eu estivesse usando um daqueles velhos equipamentos de realidade virtual. A detecção do ângulo da minha cabeça e a resposta da foto envolvente eram incrivelmente definidas e precisas. Deslizando o dedo sobre o touchpad, eu podia mudar para outras cenas.

Ainda há um longo caminho entre o protótipo de hoje e o dia em que o Google Glass estará no rosto de todos. A empresa terá que terminar o design –e diminuir o preço. Questões de privacidade e distração terão que ser resolvidas. Pessoas que usam óculos podem ter que esperar até que o Glass possa ser incorporado dentro de seus óculos.

Talvez estejamos esperando, também, aquele recurso incrivelmente estimulante, algo que hoje você não pode fazer com seu telefone (além de usá-lo sem as mãos). Temos visto que as massas nem sequer se dão o trabalho de colocar óculos especiais para ver TV 3D; pode ser necessário um “killer app”, um aplicativo matador inédito para convencê-las a usar o Google Glass o dia todo.

Mas algumas coisas já são claras. A velocidade, a potência, o tamanho diminuto, o pouco peso e a clareza e a eficácia do áudio e do vídeo estão além de qualquer coisa que eu poderia ter imaginado. A empresa tem empregado muito esforço em design –de hardware e software–, o que é, de fato, a abordagem correta para algo tão pessoal como um gadget vestível. E mesmo neste protótipo inicial você já sente que o Google está se dedicando à clareza e à simplicidade da experiência –também uma abordagem inteligente.

Em suma, é muito cedo para prever o sucesso ou o fracasso do Google Glass. Mas é fácil ver que ele tem um potencial que nenhuma outra máquina teve antes –e que o Google está conduzindo seu desenvolvimento pelo caminho certo.

Tradução de EMERSON KIMURA

Fonte: Folha de S. Paulo