Leves e potentes, óculos do Google têm potencial sem precedentes; confira teste

14/09/2012 – 05h51
 
 

DAVID POGUE
DO “NEW YORK TIMES”

Novos gadgets –ou melhor, categorias de gadgets totalmente novas– não aparecem com muita frequência. O iPhone é um exemplo recente. Você pode dizer que o iPad é outro. Mas, se há alguma coisa realmente diferente e ousada no horizonte, certamente é o Google Glass.

O Glass é o protótipo do Google de um dispositivo que você usa no seu rosto. A empresa não gosta do termo “glasses” (óculos), pois ele não tem lentes. (A equipe do Glass, parte dos laboratórios experimentais do Google, também não gosta de termos como “realidade aumentada” ou “computador vestível”, que têm uma certa bagagem.)

  Reprodução/Google  
Foto de estudo de design do Glass publicada na página do projeto no Google+
Foto de estudo de design do Glass publicada na página do projeto no Google+

O Glass parece apenas uma armação de óculos com um bloco pequeno e transparente posicionado acima e à direita do seu olho direito –a tela do dispositivo. O Google Glass é, de fato, um computador razoavelmente completo. Ou, então, algo como um smartphone que você nunca precisa tirar do bolso.

A ideia deixou muita gente animada quando Nick Bilton, do “New York Times”, revelou o projeto, em fevereiro. O Google demonstrou-o pela primeira vez em abril, em um vídeo (veja no pé desta matéria). Em maio, na conferência Google I/O, ele ganhou mais destaque após os visitantes assistirem a uma transmissão de vídeo ao vivo feita do Glass usado por um saltador que pulou de um avião e caiu de paraquedas no telhado do prédio do evento. Mas, até agora, pouquíssimas pessoas fora do Google foram autorizadas a experimentá-lo.

Na semana passada, tive a oportunidade de usar um. Estou apresentando uma série na PBS chamada “Nova ScienceNow” (que estreia em 10 de outubro), e um dos episódios é sobre o futuro da tecnologia. Claro, projetar o que ainda está por vir em tecnologia para o usuário final é quase impossível, mas o Google Glass parecia um exemplo perfeito de uma grande inovação iminente. Então, na semana passada, a equipe do “Nova” e eu encontramo-nos com Babak Parviz, chefe do projeto Glass, para discutir e experimentar os protótipos.

Mas o Google enfatizou –e eu faço o mesmo– que o Glass ainda está em um estágio muito, muito inicial. Muitos elementos ainda não foram finalizados, incluindo o que o Glass fará, como a interface será, como ele funcionará e assim por diante. O Google não quer deixar o público empolgado com algum recurso que pode não se materializar na versão final do produto. (No momento, a empresa planeja oferecer os protótipos a desenvolvedores no ano que vem –por US$ 1.500–, antes de vender o Glass para o público em, talvez, 2014.)

Quando você pega os óculos, não consegue acreditar no quão leve eles são. Pesam menos do que um par de óculos de sol, na minha estimativa. O Glass é um feito absolutamente impressionante de miniaturização e integração.

Dentro da haste direita –o suporte horizontal que fica sobre a sua orelha–, o Google colocou memória, processador, câmera, alto-falante, microfone, antenas de Wi-Fi e Bluetooth, acelerômetro, giroscópio, bússola e bateria. Tudo isso dentro de uma haste.

O Google disse que, eventualmente, o Glass terá um rádio celular para que ele possa ficar on-line; no momento, ele conecta-se sem fio ao seu telefone para conseguir acessar a rede. E o que é surpreendente é que esse negócio fino é apenas o protótipo. Nas gerações futuras, ele ficará apenas menor. “Esta é a versão do Glass mais volumosa que já teremos feito”, disse-me Babak.

O maior triunfo –e, para mim, a maior surpresa– é que a telinha é completamente invisível quando você está falando ou dirigindo ou lendo. Você simplesmente se esquece dela. Não fica absolutamente nada entre os seus olhos e o que ou quem quer que você esteja olhando.

E, ainda assim, quando você foca a tela, levando o seu olhar para cima e à direita, aquele pequeno display de meia polegada é surpreendentemente envolvente. É como se você olhasse para uma grande tela de um laptop ou coisa do tipo.

(Ainda que eu geralmente necessite de óculos de leitura para ver de perto, esse display tão próximo parecia flutuar longe o suficiente para eu não precisar deles. Porque, sim –usar óculos sob o Glass pode dar uma aparência estranha.)

O avanço do hardware, em outras palavras, está aí. E o Google está agindo com cuidado para se certificar de que, na primeira tentativa, consiga acertar o máximo possível com o resto do aparelho.

Mas o potencial já é incrível. Pariz ressaltou que o Glass é projetado para dois propósitos principais –compartilhamento e acesso instantâneo a informação– com as mãos livres, sem ter que tirar qualquer coisa do seu bolso.

Google Glass

 

Você pode controlar o software deslizando um dedo sobre a haste direita em diferentes direções; ela é um touchpad. Seus movimentos podem conduzi-lo por menus simples. Em diversas apresentações, o Google mostrou ícones para coisas como tirar uma foto, gravar um vídeo, fazer uma chamada telefônica, navegar no Google Maps, verificar sua agenda e assim por diante. Um toque seleciona a opção desejada.

Em demonstrações recentes, o Google também mostrou que você pode usar reconhecimento de voz para controlar o Glass. Você diz “OK, Glass” para chamar o menu.

Para ilustrar como o Glass pode mudar o jogo no compartilhamento de sua vida com outros, testei uma demonstração. Nela, é exibida uma foto –uma cena de selva, com uma passarela de madeira bem na minha frente–, e o tema de “Jurassic Park – O Parque dos Dinossauros” é reproduzido com clareza no meu ouvido direito. (Bonito, muito bonito.)

Mas, quando eu olhava para a esquerda, para a direita, para cima ou para baixo, a minha visão mudava de acordo com a minha escolha, como se eu estivesse usando um daqueles velhos equipamentos de realidade virtual. A detecção do ângulo da minha cabeça e a resposta da foto envolvente eram incrivelmente definidas e precisas. Deslizando o dedo sobre o touchpad, eu podia mudar para outras cenas.

Ainda há um longo caminho entre o protótipo de hoje e o dia em que o Google Glass estará no rosto de todos. A empresa terá que terminar o design –e diminuir o preço. Questões de privacidade e distração terão que ser resolvidas. Pessoas que usam óculos podem ter que esperar até que o Glass possa ser incorporado dentro de seus óculos.

Talvez estejamos esperando, também, aquele recurso incrivelmente estimulante, algo que hoje você não pode fazer com seu telefone (além de usá-lo sem as mãos). Temos visto que as massas nem sequer se dão o trabalho de colocar óculos especiais para ver TV 3D; pode ser necessário um “killer app”, um aplicativo matador inédito para convencê-las a usar o Google Glass o dia todo.

Mas algumas coisas já são claras. A velocidade, a potência, o tamanho diminuto, o pouco peso e a clareza e a eficácia do áudio e do vídeo estão além de qualquer coisa que eu poderia ter imaginado. A empresa tem empregado muito esforço em design –de hardware e software–, o que é, de fato, a abordagem correta para algo tão pessoal como um gadget vestível. E mesmo neste protótipo inicial você já sente que o Google está se dedicando à clareza e à simplicidade da experiência –também uma abordagem inteligente.

Em suma, é muito cedo para prever o sucesso ou o fracasso do Google Glass. Mas é fácil ver que ele tem um potencial que nenhuma outra máquina teve antes –e que o Google está conduzindo seu desenvolvimento pelo caminho certo.

Tradução de EMERSON KIMURA

Fonte: Folha de S. Paulo

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